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    4/26/2009

    Parabens.

    esta coisa que ainda vou alimentando depois de tanto, e que me acompanhou e serviu de refugio de exorcismos. fez anos por alturas do post anterior e eu nem sequer me lembrei de deixar uma nota. ai esta cabeça (ou cabaça, como lhe chama o meu pai). de qualquer forma, para não passar despercebido, e para que conste para a posteridade, aqui ficam os votos de que este cantinho não adormeça, tal como eu, e que vá continuando a exorcisar os dias. a insustentável indefinição do ser fez dia 24-04 quatro primaveras (literalmente). aos que ainda aqui vêm e a todos os que fizeram parte do percurso, directa ou indirectamente, o meu mais sincero obrigado. queria deixar um postal de parabens, mas nao encontrei nenhum que me agradasse e nao tive cabeça para fazer um personalizado. sobre isso, mil perdões.
    4/24/2009

    .retratos de uma desconhecida


    April2009


    April2009



    [by me @ 04.2009]



    4/19/2009

    .referências


         





    "estive há dez minutos atrás da varanda
    do meu quinto andar,
    a observar a cúpula invisível entre o
    céu e o enorme lego de betão
    e a sentir-me um inquilino passageiro
    desta pensão de uma estrela
    perdida na imensa cidade negra a que
    damos o nome de universo.
    curiosamente parece que é o único
    sítio que temos para passar a longa
    noite que nos espera.
    e é aí que eu saio para apanhar a
    frequência.
    como que a comer um ponto
    e a cagar um verso
    no meu prisma, a encaixar,
    provavelmente no de outros feito um
    filósofo de merda.
    mas a vida é isso mesmo, um monte de
    gente a fazer de conta que se entende
    e ninguém sabe dizer o que viveu.
    e por isso nos pedem que caminhemos
    alegres para o precipício, sem
    questionar,
    porque estaremos sempre longe. mas
    longe rapidamente fica perto
    e perto rapidamente passa por nós. eu
    não quero mandar-te para baixo,
    mas eu seu que me entendes, tu também
    tens medo de morrer,
    toda a gente tem. só que normalmente
    evocamos nomes de problemas
    para nos convencermos que estamos
    ocupados a resolver uma situação
    importante
    quando não tem importância nenhuma.
    entretanto o tapete rola
    e nós irritamo-nos com a
    inevitabilidade, e nos nossos sonhos
    dizemos:
    -torna-me imortal! torna-me imortal!
    eu não vou aguentar deixar de existir!
    e é aí que eu entro para sair da
    frequência, seduzir-te com os meus
    sonhos,
    tu não vês como empreendo? e como eu
    mais um milhão de sonhadores leva com
    ele muitos braços de outros,
    acéfalos, na lotaria dos ideais,
    descrentes, beijando o número do
    bilhete.
    mas quero dizer-te que a viagem é tua,
    e eu não quero empurrar-te à força para a rua.
    se eu falhar eu vou passar de deus a
    carrasco, embalsamado e metido dentro
    de um frasco,
    para te lembrares da mentira, mas a
    verdade é que ganhamos sempre. "

    Manel Cruz em Foge Foge Bandido na musica "Ainda Pode Descer"

    Aqui:


       

    Ainda pode descer - Foge Foge Bandido

    4/18/2009

    [ i n t e r l u d e ]




    "Mulhere(s)" by Joana Vaz. Photo by me @ Maio 2007

    4/16/2009

    .conspira


    era noite escura. a janela estava aberta e deixava entrar uma aragem fresca com cheiro a alfazema e primavera. contraditóriamente havia chovido a tarde toda e por todo o lado havia ainda a sensação cinzenta que as nuvens haviam consigo carregado. com um gosto a chocolate e a mente a flutuar nos recantos do desejo, caminha devagar sobre a ideia do mistério e da (ob) escuridão. vai passo ante passo pela nocturna cidade ainda por adormecer de encontro à idealização das pequenas verdades. Posição fetal. Arrepio. Ouvem-se os funcionários a lavar as ruas. Pena não poderem lavar-lhe a alma também.
    distante. longe. do lado de cá a vontade. é já madrugada e falta o som da voz que embala. depois do tempo, também aqui a duvida, (a sempre presença de sempre). serás? *
    um beijo de boa noite.