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    3/24/2009

    colouring city



    colouring city


    Photo by me @ this afternoon on a BUS.



    3/18/2009

    .referências (de ultima hora)




      

    a versão original e completa da musica pode ser ouvida AQUI, é mais catita, mas o video não tá tão bem conseguido. se procurarem no imeen tambem lá tá um cheirinho do album. é bom! (e não, já não é recente nem nada que se pareça.)
    3/5/2009

    referências





    A Beleza


              Numa certa cidade o arco-íris um dia apareceu e nun-
    ca mais se foi embora. Durante um ano permaneceu no mes-
    mo sitio do céu. Tornou-se aborrecido.
              Um dia, finalmente, o arco-íris desapareceu e o céu
    ficou cinzento escuro por completo. As crianças dessa cida-
    de, excitadas, apontavam para o céu cinzento e gritavam uns
    para os outros: olha, que bonito!



    "O Sr. Brecht" de Gonçalo M. Tavares






    Daniel Staver - AQUI


    3/4/2009

    .referências

    a ti Mariana de quem tenho saudades e que me traçaste este perfil mal me conhecias. enviaste-me este poema como um retrato de mim ainda mal sabias quem eu era. hoje como retrato de mim, e ainda mal sabendo quem sou, aqui vai ele:



    Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
    Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
    Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
    (Enlacemos as mãos).

    Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
    Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
    Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
    Mais longe que os deuses.

    Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
    Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
    Mais vale saber passar silenciosamente
    E sem desassossegos grandes.

    Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
    Nem invejas que dão movimentos demais aos olhos,
    Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
    E sempre iria ter ao mar.

    Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
    Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
    Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
    Ouvindo correr o rio e vendo-o.

    Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
    No colo, e que o seu perfume suavize o momento -
    Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
    Pagãos inocentes da decadência.

    Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
    Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
    Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
    Nem fomos mais do que crianças.

    E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
    Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
    Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim - à beira-rio,
    Pagã triste e com flores no regaço.



    Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio

    por Ricardo Reis




    drawing by me @ 2008