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3/8/2006 o monstroProcuro o thirteen step de a perfect circle, procuro na minha bolsa o material necessário para fazer mais um, e afundo-me como de costume, no meu espaço vazio e impessoal… inabitado. Procuro a máscara que me serve melhor: o monstro. O meu refugio de sempre e que me serve tão bem. Crio a minha identidade, o meu motor de arranque que alimenta as minhas pretensões e desço baixo, bem baixo, até não ver mais luz à minha volta. Exploro os caminhos mais bizarros das minhas depressões. Frustrações. Dou asas às minhas perversões e alimento o meu monstro até ao estado se submissão… e escondo-me. Não tenho nada a mostrar. Apenas procuro o equilíbrio entre o receio de plena insanidade e a obrigação de consciência. Luto, entre o desejo e a razão, mas eles confundem-se. Não existe Razão. Somos corpos podres, contaminados e sucumbidos, e eu também sou um deles, mas por isso uso a máscara. Uma espécie de faca de dois gumes que mostra e esconde, na qual sei que estou seguro e protegido mas que espelha “ideias de” do mundo defronte. O meu monstro é meu! É o lugar seguro onde me escondo e o lugar que eu escondo. É o meu universo, a minha luta. A minha casinha na arvore de infância, que nunca tive, na qual dou asas à minha consciência e percepção e pinto o que sinto do universo que me atinge do lado de fora de mim e que gera em mim a angustia e o pânico que me mantêm o estado de transe aceso como que num estado de excesso de consciência levado à exaustão, e tudo o resto não passa de um background de apoio que alimenta e define esta coisa que nos distingue dos outros seres. Escolhi para mim um caminho frustrado pela consciência da condição humana… o prazer da dor… ponho o CD em repeat.
2006-02-02 3/5/2006 diz a Sr.ª Maya:5 a 11 de Março
Sagitário
23de Novembro a 21 de Dezembro
Recomenda-se posturas ponderadas, equilibradas e isentas. Deve controlar emoções e actuar com gestos contidos. No plano afectivo respeite a relação que que tem neste momento mesmo que passe por choques emotivos ou possa sentir que nascem novos interesses. Não é boa altura para rupturas. No plano material deve procurar um caminho de independecia embora com toda a prudência. Não cometa excessos alimentares sobretudo à noite; faça refeições mais leves.
3/4/2006 A redomaPoucas são as coisas que ainda me fazem sorrir hoje. Pessoas? Essas são raras. Caminham distantes no seu caminho interior e egocêntrico enquanto reparam se o buraco do seu umbigo continua no mesmo sitio. Cruzam-se com o vazio das almas que deambulam pelas ruas urbanas e contagiam-se da doença que o espaço impregna. Eu? Já dissera uma vez e repito: Sou apenas mais um, como eles, como vós. Hoje sinto-me particularmente doente, do corpo e da alma. O estado febril do meu corpo funde-se no sentimento de si da minha aura. O ambiente envolvente é já de si contaminado, mas não há nada a fazer.. não há outro! É como se tudo conspirasse na minha inconsciência para me deixar mais vulnerável. O aperto que sobe no estômago até me apertar o diafragma e sufocar na angústia que me consome. A temperatura aumenta e de repente é como se tudo não passasse de um sonho, grande e mau, mas um sonho demasiado real. Ouço o violino à distância que me faz lembrar outras angústias e olho com atenção o negro que construí à minha volta. A redoma que construí para me proteger e que agora me distancia do mundo. Construí o labirinto para que não me encontrassem e agora não sei sair de dentro dele.
Estou longe e não sei se quero voltar Estou no fundo e não sei se quero sair (incompleto) |
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