12/16/2007
Acendeu a lareira e esperou o
entardecer. O tempo passou ao ritmo de um daqueles domingos de inverno.
Escureceu cedo, e apesar do ambiente acolhedor e de uma súbita e desconhecida
vontade, não lhe telefonou. Preparou o jantar. Pôs dois pratos e respectivos
talheres, colocou vinho nos copos, acendeu velas e incenso e tomou a refeição,
só. Apesar do desejo ficou imóvel, e esperou. Esperou a noite toda por uma
resposta embora nunca tenha tido a coragem para fazer a pergunta. Ficou ali
sentado à espera, dividido entre o coração e a razão. Impulsiva e obcecadamente
ia olhando para o telemóvel à procura de uma resposta. Deveria ligar-lhe? Agir?
Ou permanecer à espera, que o telemóvel tocasse? Ficou indeciso e a indecisão
por si só levou-o a uma escolha involuntária. Ficou a pensar no que decidir,
sem se decidir, e acabou por ficar a olhar o telemóvel. Escolheu permanecer à
espera e passou assim toda a noite.
12/13/2007
Trabalho apresentado na Exposição de Finalistas ESAD_07.
Fotografia de Edgar Libório
[ver mais aqui]